terça-feira, 30 de setembro de 2014

Entrevista: Nacho Y Los Pussygatos

Da esquerda para a direita: Nacho, Felipe, Du e Guto


Por Bruno Sawyer

Confira a nossa entrevista exclusiva com o grupo paulistano que conta com muita irreverência e bom humor em todo o seu trabalho.


1) É uma honra poder entrevistá-los. Quem são os músicos que dão vida à banda?

Nacho: Obrigado Bruno Sawyer! A honra é nossa! Bom, os doid... (Risos) quer dizer, os músicos somos 04...

Guto: Nacho Martin na voz e ukulele, Felipe Kim na guitarra e backing vocals, Du Terni no baixo e backing vocals e Guto Portugal na bateria.

Du: Eu sou o Du Terni, toco baixo, faço piadas ruins e mantenho o humor quase sempre fazendo palhaçadas! Acho que essa seria a descrição básica.

Kim: Sou o Kim, guitarrista, backing vocal e mendigo nas horas vagas.

2) Porque Nacho Y Los Pussygatos?

Kim: Porque soa mais bonito que Zé e o Gatos Fofinhos.

Du: O Guto é o mais indicado a responder essa pergunta!

Guto: Tá aí uma coisa que eu não sei! (Risos)

Nacho: (Risos) Já nem sabemos direito a origem do nome, mas o que posso dizer é que eu sou o único remanescente da formação original e numa época onde tinha muito entra e sai da banda eu resolvi botar meu nome na frente meio que pra segurar as pontas... Opa... (Risos)  Mas em nenhum momento sou mais importante que os outros, pelo contrário, temos todos o mesmo peso (a não ser o Du com seu peso leve pena) e dividimos nossos ganhos por igual... Quanto ao pussygatos, é como se fosse “bichano” misturando inglês com espanhol... Não sei, achei engraçado quando ouvi a referência em algum álbum do Nofx.


Assista ao documentário que fala sobre a formação da banda Nacho Y Los Pussygatos

3) Quais são suas influências?

Nacho: As mais variadas... Eu conheço e curto muita música latina como Kevin Yohansen, Manu Chao, Los Fabulosos Cadillacs, mas também gosto de Sublime, Ramones, Gogol Bordelo, The Clash... Além de Paralamas, OBMJ, Raimundos...

Du: Rock’n’Roll… Desde classic rock, até indie, hardcore e punk rock. Também tenho influência de sons eletronicos como Dub.

Kim: Minhas influências são Motorhead, Bob Marley e Shakira.

Guto: Eu comecei na musica ouvindo rock n roll, então tenho muita influencia de bandas como Led Zeppelin, Deep Purple, Whitesnake e ouço também muitos bateras de jazz e fusion como Benny Greb, Marco Minnemann, Steve Smith, Carter Beauford... e aí vai...

4) O que faz a banda ser diferente das demais?

Kim: Não se prender a nenhum estilo musical.

Du: Tudo? (Risos) Desde a ousadia da questão de cantar em vários idiomas e estilos diferentes, até a atitude de tentar não ser apenas um bando de rostinhos bonitos! (Piscadela)

Nacho: Talvez a atitude? Ou a irreverência? Não sei... Não nos importamos em seguir tendências, nem modismos, nem nada e nem ninguém... Apostamos na boa vibe da nossa amizade e na mistura total de idiomas e ritmos... Talvez seja isso! (Risos)

Guto: O NYLP (Nacho Y Los Pussygatos), tem como diferencial a proposta da “mistureba”, onde não há um estilo de som a seguir. Não nos rotulamos como banda pop, banda de rock, banda de reggae, Ska...
É uma proposta livre e desimpedida de rótulos ou estilos musicais.
E não podemos deixar de fora a diversão, é claro!  (Risos)  

5) Nacho, há quanto tempo você mora no Brasil? Porque resolveu aprender a tocar ukulele?

Kim: Desde que foi extraditado da Argentina, por preferir feijoada a alfajor. (Risos)

Nacho: (Risos) Cara, eu vim bem moleque, no meu RNE, diz que entrei no país em 14/10/1990... (Risos) Ainda sofro pra falar palavras como vovô, bossa nova... Mas quase não tenho sotaque. Quanto ao ukulele, não sei ao certo como foi... Mas desde meus 13 eu já tocava baixo e arranhava violão e guitarra. Tive mil bandas, até que enjoei do que fazia. Achava minhas bandas muito iguais a tudo que se ouve por aí, queria fazer algo diferente e comecei a pesquisar instrumentos e encontrei o ukulele por acaso. Comecei com um soprano que parecia de brinquedo, mas quando o Kim entrou na banda ele me incentivou a usar mais efeitos, então comprei uma pedaleira e importei da gringa um ukulele concerto da epiphone, levando o mesmo aonde nunca pisou antes! (Risos) De fato não existem muitas referências ao uso do ukulele no rock, todos acham que apenas pode ser usado em sons praianos ou “fofos”, mas eu cago pra isso! 

6) Falem um pouco sobre És Muy Loco Señor!

Guto: És muy Loco Señor... Cara, deu trabalho pra porra! (Risos)
Foi um trabalho com muita dedicação de todos os integrantes. Com certeza é a primeira gravação de muitas outras dessa formação.

Foi uma excelente experiência pra banda. Todos começaram a pensar juntos com arranjos, composições, pré-produção, gravações... Vixe... Teve muita coisa nesse EP.

Kim: O Nacho já tinha as bases e letras da maioria das musicas, o interessante foi poder botar nas musicas, qualquer ideia que viesse a cabeça, como o solo de Algo Diferente, que foi a maior piração psicodélica, numa base totalmente reggae.

Du: És muy Loco Señor acho que diz bastante coisa sobre a banda. Começando pelo nome que mostra o bom humor e a vibe pra cima que nós temos, seguindo pelas músicas trabalhadas de forma séria mostrando nosso comprometimento e amor pela música. Como foi feito de forma independente, o álbum literalmente tem a cara da banda (obviamente com uma mãozinha do Paulo B que conseguiu por ordem no hospício (estúdio) e nos ajudou a colocar tudo direitinho nas 5 faixas do disco.

Nacho: Cara, pra mim foi um sonho realizado. Desde moleque sempre tive bandas, mas nenhuma foi capaz de lançar um material bonito, com capinha e tudo mais. Gravamos no Estúdio Paulo B., uma baita referência de estúdio pra gente. O Paulo B. mesmo nos ajudou a produzir e o processo foi bem simples e agradável. Quanto ao título, foi mais uma de nossas brincadeiras de bar, definimos nosso som como “é muito louco cara”. (Risos)


A irreverência e musicalidade de Nacho Y Los Pussygatos no EP És Muy Loco Señor

7) De onde veio a inspiração para a letra de Manga Rosa?

Kim: It’s up to Nacho.

Guto: Das maluquices que rondeiam a cabeça do Nacho. (Risos)
Pobre menino! (Risos)

Nacho: (Risos) Então, eu fiz um reality/game/show onde cruzei o Brasil numa Kombi com mais dois Hermanos e, obviamente, levei meu ukulele. Lá eu estava arranhando um blues, quando olhei pra placa que dizia: “Sorria, você está na Bahia”. Tirei o refrão daí e o resto da música veio naturalmente. (Risos)


Nacho Y Los Pussygatos: Veja o vídeo de Manga Rosa

8) O que a música significa pra vocês?

Guto: Tensão e relaxamento.

Kim: Pra mim, música é como uma chave que muda teu comportamento, teu sentimento. Pode te fazer dançar, pode te fazer pensar, pode te fazer viajar, pode te fazer bater em alguém. Por isso amo ouvir todo o tipo de som, do mais pesado, black metal mesmo, a trilha sonoras de filmes da Disney.

Du: Alegria, diversão e simpatia! com um pouco de mamão papaia!

Nacho: Liberdade... Diversão... Responsabilidade... Trabalho... Cerveja... (Risos) Estilo de vida...

9) Há previsão para o lançamento de um álbum completo?

Guto: Olha... Pela pegada dos NYLP neste ano, em 2015 teremos álbum completo com DVD ao vivo. Aaaauuuuuu!!! Assim espero... (Risos)

Kim: Acredito que assim que terminarmos os shows desse ano, iremos focar em composições novas, porém sem se prender a um álbum completo. É difícil hoje em dia alguém comprar ou se interessar por um álbum. As pessoas querem tudo muito rápido. Não existe paciência para escutar algo que tenha 40 minutos de música.

Nacho: Por enquanto não, mas já estamos começando a pré produzir nosso segundo EP independente...

10) Agora é a vez de vocês. Podem me perguntar o que quiserem.

Nacho: Cara, sem muitas perguntas... Só a agradecer... Obrigado pelas resenhas, pela força e pela entrevista! Vida longa ao Dossiê do Rock!!! Grande abraço!

Kim: Peraí... Só uma... Qual musica você gosta de escutar para beber, amar e rezar? (Risos)

Bruno: Nacho, quem tem que agradecer a algo aqui sou eu. Muito obrigado pela ótima forma como fui recebido por vocês e muito sucesso para a banda!

Respondendo ao Felipe, não sou de beber cara. Mas creio que Bebendo Vinho do Wander Wildner seja uma canção pra isso! (Risos) Para amar, uma música da minha banda favorita, Ghost Of A Chance do Rush. E para rezar, Shine do Transatlantic.

Para conhecer mais do trabalho da banda, basta acessar os links abaixo:



Dossiê do Rock: Revelando o passado. Incentivando o futuro.