quinta-feira, 11 de setembro de 2014

O legado de Chuck Schuldiner foi apresentando com maestria pelo Death DTA em São Paulo

Death DTA tocando em São Paulo / Foto: The Ultimate Music PR

Por Bruno Sawyer

Noite de domingo. Hora de se preparar para a famosa (e odiada) segunda-feira. Não há escapatória. O fim de semana está em sua reta final e o que resta é descansar e blá, blá, blá... TOTALMENTE ERRADO!


Para os headbangers e amantes da boa música, esta noite foi bem especial. O tributo que mantém viva a memória do fundador da banda realizou o sonho de muitos fãs brasileiros, realizando uma performance digna de uma lenda do metal. O grupo trouxe alegria para o público paulistano.

Não bastasse o profissionalismo dos músicos e o respeito à memória de Chuck, o projeto contribui para a caridade, apoiando a Sweet Relief Musicians Fund, instituição sem fins lucrativos que ampara financeiramente músicos deficientes, doentes ou que sofrem de problemas relacionados à idade.  

Death - DTA: Tributo que mantém a memória de Chuck Schuldiner viva se apresenta em setembro  

A abertura do evento fez jus à importância do acontecimento. As bandas Test e D.E.R. tocaram juntas no palco, preparando o público para a apresentação principal. Os grupos acabaram a apresentação pouco antes das 20h, quando o palco e o som começaram a ser ajeitados para garantir a apresentação do Death DTA com qualidade.

DEATH DTA: Abertura terá a inovação de dois shows em um

Neste meio tempo, uma série de testes foi feita. Bateria de um lado, guitarra de outro, baixo, iluminação... E em paralelo rolava um som ambiente para que a espera fosse mais agradável. NIB do Black Sabbath foi uma das canções e agitou o público ansioso para o início do show principal.

Eram 20:47 quando o sonho começou a se tornar realidade. Os telões iniciaram uma retrospectiva dos álbuns da banda, seguida de imagens e vídeos de Chuck Schuldiner que mostraram o quanto o falecido líder do Death era (e ainda é) querido.

Platéia: “CHUCK! CHUCK! CHUCK!

Com estes gritos, às 21:00, abriram-se as cortinas e o espetáculo teve seu início. The Philosopher foi a escolhida para iniciar a apresentação histórica. O público foi à loucura e não era pra menos. Gene Hoglan impecável em sua linda bateria Pearl branca. Os guitarristas Max Phelps (também dono dos vocais) e Bob Koelble mostrando toda sua técnica e, o cara que talvez tenha sido o personagem da noite, Steve DiGiorgio arrebentando com suas linhas de baixo monstruosas e seu carisma acima da média. Ao seu final houve a galera estava ensandecida.

A noite só prometia...

Em seguida tivemos a dobradinha Leprosy/Left To Die onde foi possível perceber um fenômeno que aconteceria a noite toda, a famosa “rodinha”. No caso deste show, foi praticamente um redemoinho, pois tomou conta do centro da pista e contou com muitos adeptos.

Um detalhe fascinante foi que, em certa altura da execução, a guitarra de Koelble apresentou problemas e o restante da banda prosseguiu a apresentação enquanto esperava a resolução do ocorrido. Para a alegria de todos Bob não só retornou com sua guitarra funcionando, mas já voltou solando, utilizando a técnica do two hands. Foi sensacional!

Living Monstrosity foi a próxima e, pela primeira vez, Steve utilizou um baixo de quatro cordas. O número de cordas diminuiu, mas a sua técnica continuou transbordando os limites de seu instrumento. Além de tocar habilmente, ele interagiu com o público e fez algo que se tornaria constante no show, brincou com Max. Ele sempre respondia com sorrisos, mas não podia se desconcentrar a arruinar a execução da canção.

Suicide Machine veio em seguida, trazendo de volta o baixo de seis cordas de Steve e muita pauleira. A bateria de Gene também apareceu bem e só ajudou a “botar fogo” na casa. Ao término da canção, Steve conversou com o público. Perguntou como todos estavam, disse que eles estavam ali para tocar a música e o legado de Chuck, apresentou a banda e anunciou a próxima canção.

In Human Form manteve a pegada “nervosa” do show e mostrou o entrosamento do line-up. Foi seguida por nada mais, nada menos que Lack Of Comprehension. A canção fez a pista ferver, onde a rodinha “comeu solta”, e teve participação do público que cantou o instrumental da introdução e também cantou os refrões. O momento foi tão bom que, ao fim da execução, Bob apontou para a plateia e aplaudiu.

DEATH - DTA: confira video e fotos da banda ensaiando em São Paulo

Mais uma dobradinha que enlouqueceu o público veio em seguida. Spiritual Healing/ Within The Mind levaram a plateia ao êxtase com toda a força e técnica presentes em ambas. Sendo seguidas de Flattening Of Emotions, com o bumbo duplo comendo solto.

A próxima canção trouxe uma grata surpresa. Max foi descansar e Steffen Kummerer assumiu a guitarra e o vocal, para que o grupo conseguisse executar o material de toda a carreira do Death. Com isso, foi iniciada a execução de Symbolic, seguida de Zero Tolerance, Bite The Pain e Overactive Imagination.

Após estas músicas Max retorna para finalizarem o show. Sim, infelizmente tudo que é bom dura pouco. Sendo assim, Zombie Ritual e Baptized In Blood foram executadas na sequência. O baixista Steve DiGiorgio perguntou se o público queria mais e agradeceu em português com um efusivo “Obrigado!”.

Anunciada por Steve, Crystal Mountain foi executada levando o público ao delírio e anunciando o iminente término da apresentação.

Pull The Plug foi a escolhida para encerrar a apresentação, que terminou com a banda sendo ovacionada pelo público. Os cinco integrantes agradeceram juntos a todos. Steve tirou algumas fotos de seu celular e agradeceu mais uma vez em português.

Ao fim do evento pode-se ter certeza da importância de Chuck Schuldiner na vida das pessoas que o conheceram pessoalmente e, principalmente, nas vidas dos que se identificam com sua música. Os gritos de CHUCK! CHUCK! CHUCK! provaram isso.

O legado do precursor do Death Metal está em boas mãos.

FICHA TÉCNICA

Data: 07 de Setembro de 2014
Realização: Agência Sobcontrole
Local: Via Marquês, São Paulo/SP

Set List

The Philosopher
Leprosy/ Left To Die
Living Monstrosity
Suicide Machine
In Human Form
Lack Of Comprehension
Spiritual Healing/ Within The Mind
Flattening Of Emotions
Symbolic
Zero Tolerance
Bite The Pain
Overactive Imagination
Zombie Ritual/ Baptized In Blood
Crystal Mountain
Pull The Plug