segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Glenn Hughes e seu rock swingado em São Paulo




Por Bruno Sawyer

Domingão, dia de levar a família no parque, fazer aquele belo almoço que demora uma eternidade pra ficar pronto, deitar no sofá e ser dominado pela nhaca esperando o dia acabar porque a segunda-feira se aproxima.





Bem, pra quem tem tudo isso que citei anteriormente como rotina, eu sugiro que comece a repensar toda a vida. Afinal, há uma infinidade de coisas que se pode fazer num domingo, sendo uma delas levantar a bunda do sofá e ir assistir a um show do Glenn Hughes.

O músico que já participou de uma infinidade de projetos e bandas voltou ao Brasil para uma nova turnê e mostrou como se faz rock and roll.

Ao seu lado, o baterista sueco Pontus Engborg (Eric Martin, Joe Lynn Turner, Graham Bonnet) e o consagrado guitarrista Doug Aldrich (ex-Dio e Whitesnake) trouxeram a casa abaixo com um repertório recehado de boas canções, jams e vocalizações de Glenn.

As luzes diminuem e ao fundo ouve-se o barulho de um helicóptero chegando. Como diria o saudoso Fiori Gigliotti: “Abrem-se as cortinas. Começa o espetáculo.” - Espetáculo esse que já foi iniciado com uma Jam session daquelas, seguida de um clássico do Deep Purple.


Stormbringer foi o cartão de visita do Power trio liderado pelo baixista. A galera que lotou a casa, obviamente, ficou ensandecida e acompanhou cada verso até o término da canção. Já emendando, Orion veio em seguida, com direito a dancinha por parte do dono de uma das vozes mais marcantes da história do rock.

Após o término da música, Glenn conversou um pouco com a plateia:

- São Paulo! Vocês tem que saber, eu senti saudades de vocês!

Way Back To The Bone foi a próxima e relembrou os tempos de Trapeze. Completamente swingada, com grooves sensacionais e muita sensualidade, a canção serviu como pano de fundo para Glenn mostrar seus dotes de dançarino. Interagindo com a plateia, dançando bastante depois do segundo refrão, mostrando seu entrosamento com Doug durante o solo e ainda mandando um pequeno solo groovado utilizando o efeito wah-wah em seu baixo.

O guitarrista chamou a galera pra bater palmas e após o término da canção o público ovacionou o trio mais que merecidamente.

Revisitando o repertório do Purple, dessa vez Sail Away foi a escolhida. A melodia com pitadas de funk manteve o clima dançante do show e claro que a plateia não ficou de fora, cantando junto com Glenn e também dançando bastante. Ao final, uma infinidade de aplausos.

Touch My Life e One Last Soul, primeiro single do Black Country Communion (supergrupo formado por Hughes, Joe Bonamassa, Derek Sherinian e Jason Bonham) foram seguintes e mantiveram a boa qualidade da apresentação.

Mais um clássico do Deep Purple, desta vez o blues Mistreated. Doída e intensa, a canção trouxe um pouco mais de calmaria para o set. Glenn contou que a canção começou a ser composta quando ele estava com Ritchie Blackmore em sua casa e, mais tarde, entrou para o track list do disco Burn. Nem preciso falar que novamente o vocalista demonstrou seu talento e fez um pequeno solo vocal repetindo o “I’ve been losing...” várias vezes de formas diferentes e finalizando com seus agudos característicos. Aliás, para a idade do músico, ele é um dos poucos dinossauros que manteve sua potência vocal.

Além disso, em um determinado momento, Hughes parou para escutar o público cantando o refrão e abriu um enorme sorriso. Novamente foram ovacionados pelo público e tanto o baixista, quanto o guitarrista agradeceram à plateia.

Good To Be Bad foi a seguinte e mais uma vez a interação entre Glenn e Doug roubou a cena, com direito a beijo na testa do guitarrista no final da música. O baixista avisou que a próxima seria mais pesada e Can’t Stop The Flood foi iniciada com direito a rebolada do baixista de costas para o público. Perto do fim da execução Glenn deixou o palco e Doug e Pontus a terminaram emendando o solo de bateria.

Sweet Tea (canção do California Breed, mais uma das bandas de Glenn) veio em seguida com sua pegada hard/heavy pra agitar a galera. Doug apresentou Pontus ao público e o baixista voltou dançando para o palco, demonstrando muita vitalidade.

Addiction foi a próxima e seu título já diz tudo sobre a canção. Glenn contou pro público que a música fala sobre seu vício com drogas que perdurou por muito tempo até o músico ficar sóbrio.

Antes de Soul Mover (música de seu disco solo lançado em 2005) ser executada, o músico brincou com o público, apontando para algumas pessoas e dizendo que as conhecia.


Como tudo que é bom dura pouco, era chegada a hora do bis. A porrada Black Country (mais uma do Black Country Communion) foi a primeira e agitou a galera. Num dado momento, só com a bateria, Glenn chamou o público pra cantar e foi prontamente atendido. Ao término da canção ele agradeceu a todos e disse que ano que vem está de volta.

Burn, talvez a canção mais aguardada do set list, veio para fechar uma noite memorável, com muito rock, gingado e alegria.

Glenn Hughes mostrou que está em plena forma e que ainda tem muita lenha para queimar, deixando muita banda nova no chinelo.

FICHA TÉCNICA

Data: 16 de Agosto de 2015
Realização: Overload
Local: Carioca Club - São Paulo/SP

Set List
Stormbringer
Orion
Way back To The Bone
Sail Away
Touch My Life
One Last Soul
Mistreated
Good To Be Bad
Can’t Stop The Flood
Sweet Tea
Addiction
Soul Mover
Black Country

Burn

Cartaz